Paraíso secreto: conheça o aeroporto da isolada ilha de Diego Garcia, no meio do Oceano Índico

Paraíso secreto: conheça o aeroporto da isolada ilha de Diego Garcia, no meio do Oceano Índico
Foto: U.S. Air Force

O último aeroporto que conhecemos juntos aqui na Flap International foi o da ilha de Christmas, na Austrália. De lá, nós vamos voar para o meio do Oceano Índico, onde está localizado um aeroporto que esconde os seus segredos, teorias sobre o voo MH370 e é bastante isolado: o de Diego Garcia.

Ilha de Diego Garcia

Com uma área de 30 km², a ilha britânica de Diego Garcia é a maior do arquipélago de Chagos, situado no Índico. Descoberta por portugueses no início do século 16, acredita-se que seu nome homenageie um capitão presente nos primeiros navios que exploraram a região.

Diego Garcia photographie par le satellite Sentinel 2
Via Wikimedia Commons

De 1814 até 1962 as Ilhas Chagos foram administradas pelas Ilhas Maurício e, em 1965, o governo britânico decidiu comprar o arquipélago. A região passou a se chamar Território Britânico do Oceano Índico. Mais tarde o local viria a ser motivo de disputa territorial entre o Reino Unido e Maurício. Durante o século 19, as ilhas foram extensamente utilizadas para plantações, produzindo copra e óleos de coco.

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Foto: Mundo das Bandeiras

A ilha de Diego Garcia está localizada nas coordenadas 7°18′48″S 72°24′40″E, a mais 3.500 km a leste da costa da Tanzânia, quase a 1.800 km da “ponta” da Índia ou a mais 4.700 km da Austrália.

Cercada por águas claras e praias paradisíacas, Diego Garcia tem clima tropical e possui hoje pouco mais de 4 mil habitantes, a maioria deles militares.

Ao contrário dos militares que vivem na base de Guam, os de Diego Garcia não podem receber visitas de suas esposas e familiares. Além das instalações das forças armadas, existe também um pequeno centro comercial com mercado, restaurantes, teatro e outras facilidades. Uma estrada, chamada de National Highway, conecta este centro até a reserva natural Barton Point, circulando praticamente a ilha por inteiro.


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Base Aérea de Diego Garcia (NKW / FJDG)

Assim como na Ilha de Ascensão, o Aeroporto de Diego Garcia é uma Base Aérea Militar utilizada pelos britânicos e também pelos norte-americanos. Uma diferença entre as duas ilhas é que, enquanto Ascensão recebe voos comerciais e cargueiros além do movimento militar, a movimentação predominante no aeroporto de Diego Garcia é de aeronaves militares.

A Royal Air Force se instalou por ali no ano de 1942, inicialmente com uma base para aviões anfíbios ou hidroaviões. As aeronaves Catalina e Sunderland eram visitantes frequentes na ilha, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial. No início da década de 60, o Reino Unido começou a se desfazer de suas bases militares pelo Oceano Índico, incluindo Diego Garcia.

Em 1971, durante a Guerra Fria, os britânicos alugaram o local para os norte-americanos e as Forças Armadas dos Estados Unidos se instalaram por lá, construindo o aeroporto e estações de comunicação. Diego Garcia era vista como uma localidade bastante estratégica pelos EUA. Os poucos nativos que habitavam a ilha foram forçados a deixá-la e mudaram-se para locais como Peros Bahnos, Maurícios ou Seychelles. Naquele ano, as plantações na ilha também deixaram de existir. A situação foi bastante polêmica na época.

Nos anos 80, os estadunidenses investiram mais de 400 milhões de dólares para reformas em suas facilidades da ilha de Diego Garcia, incluindo o aeroporto. A pista foi expandida para os atuais 3.700 metros, o pátio foi aumentado para comportar aeronaves maiores, um terminal e hangares também foram construídos. O porto passou por ampliações para garantir espaço e estrutura para navios de maior porte e uma grande área de armazenamento de combustível foi construída próxima do aeroporto e do porto.

O aeroporto de Diego Garcia foi bastante utilizado pela Força Aérea Norte-Americana durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991. Dez anos mais tarde, diversos B-52s ocuparam a ilha para realizar operações para o Afeganistão e em 2003 o local serviu como base para as operações para o Iraque.

B 2 Guam
B-2 pousando em Diego Garcia. Foto: US Air Force

O aeroporto também já foi designado pela NASA como local para pouso de emergência de missões espaciais. Existem fotos na ilha de Boeing 747, B-2, KC-135, C-130, KC-10, C-5 Galaxy, C-17, além de outras aeronaves. Em 2021, as forças armadas norte-americanas voltaram a utilizar o B-1B Lancer em Diego Garcia, após 15 anos.

Aircraft Parking Area Diego Garcia 2
Foto: Steve Swayne via Wikimedia

Mesmo com uma frequência mínima, aviões comerciais já pousaram em Diego Garcia. A operação mais recente que se tem relatos é a de um Airbus A330-300 da Philippine Airlines (PAL) que realizou um voo de repatriação entre a isolada ilha e Subic, nas Filipinas. A ATI – Air Transport International já fez diversas aparições em Diego Garcia com seus Boeing 757.

U.S. Army and Royal Thai Army soldiers prepare for movement during Exercise Cobra Gold 2023 at Diego Garcia
Foto: US Air Force

Por ter um acesso bastante restrito e poucas informações sobre o que acontece por lá, o local esconde mistérios e segredos, incluindo em relação a teorias relacionadas com desaparecimento do voo MH17 da Malaysia Airlines, em 2014.

Voo MH370 e Diego Garcia

O voo 370 da companhia aérea Malaysia Airlines decolou no dia 08 de março de 2014 do Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia, com destino a Pequim, na China. Enquanto sobrevoava o Golfo da Tailândia, o Boeing 777-200 de matrícula 9M-MRO desapareceu dos radares. Buscas pela aeronave foram iniciadas de imediato, mas nada foi encontrado. O Boeing e seus 239 ocupantes seguem desaparecidos até hoje.

Um radar militar detectou que o avião poderia ter dado meia volta para a Malásia e, em seguida, desviado em direção ao Oceano Índico, onde sumiu. A partir daí, hipóteses e estudos foram feitos para tentar descobrir o paradeiro do voo 370.

Uma das teorias é de que a aeronave teria voado secretamente até Diego Garcia e ao pousar lá, foi escondido ou desmontado. Os rumores sobre esta constatação aumentaram após diversos canais de mídia reportarem que o piloto responsável pelo voo MH370 havia treinado em seu simulador de voo pousos em algumas ilhas e aeroportos do Oceano Índico, incluindo Diego Garcia. Outra questão que fomentava essa teoria é de que parentes dos passageiros tentaram entrar em contato com seus familiares pelo celular e disseram que conseguiram ouvir o sinal de chamada.

Recentemente, oito anos depois do desaparecimento, essa hipótese voltou a ganhar força através das redes sociais, após a publicação de uma barbearia situada na ilha. Na foto, um homem aparece tendo o seu cabelo cortado e especulações foram levantadas dizendo que ele, na verdade, seria Andrew Nari, o comissário líder do voo MH370. A filha de Nari, Maira Elizabeth, desmentiu o boato e disse que o homem da foto não era o seu pai. Quase que de imediato, outras pessoas que apareceram em fotos publicadas por um canal de Diego Garcia começaram a ser comparadas com os ocupantes do voo da Malaysia e vídeos foram viralizados nas redes sociais.

Essa não é a única teoria que envolve Diego Garcia com o MH370. Outra especulação é de que o Boeing foi abatido pelos militares ao ingressar no espaço aéreo da região e a questão teria sido “arquivada! para não gerar problemas políticos.

Várias outras teorias e conspirações rodeiam o caso, que ainda segue sem uma solução definida. Alguns possíveis destroços do Boeing foram encontrados em Madagascar, na Ilha da Reunião, na costa da África do Sul e também em Moçambique.


Uma ilha de segredos e mistérios que não estão em nosso alcance de descobrir-los, mas com base nas informações publicamente acessíveis, foi possível conhecer um pouco mais deste aeroporto tão isolado em nosso planeta.

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