We Take You There, We Take You Back: as operações da Iran Air em Nova York

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We Take You There, We Take You Back: as operações da Iran Air em Nova York
Foto: Ken Rose

Ao contrário do cenário geopolítico atual, décadas atrás, Estados Unidos e Irã já andaram lado a lado como bons aliados. Tal fato possibilitava ligações aéreas entre os países, incluindo até um serviço sem escalas entre dois grandes centros: Nova York e Teerã. Algo impensável hoje em dia, não?

Resumo do contexto político no Irã entre 1953 e 1979

Em 1953, a monarquia voltou a reinar no Irã após um golpe de Estado orquestrado pelos Estados Unidos e apoiado pelos britânicos, que tinham interesse no petróleo iraniano – há historiadores que apontam a Guerra Fria como principal motivo do golpe, numa tentativa de afastar a União Soviética do Irã e frear a expansão do comunismo na região. O fato é que o golpe tirou o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq (primeiro governante eleito democraticamente no Irã) do poder e colocou o xá Mohamed Reza Pahlevi como líder.

Antes do acontecimento, os Estados Unidos não eram maus vistos pelos iranianos, no entanto, o apoio do país a um governo que era considerado autoritário, fez o sentimento antiamericano crescer entre a população do Irã. Do outro lado, a monarquia era favorável ao Ocidente e a relação entre Irã e Estados Unidos vivia um ótimo momento.

Nasce a Iran Air

No início da década de 1960, a Iranian Airways foi nacionalizada e fusionada com a PAS, o que deu origem à Iran National Airlines Corporation (HOMA), conhecida como Iran Air. O mítico pássaro persa Homa Bird foi o escolhido como símbolo da companhia. Anos mais tarde, em 1965 a empresa recebeu suas primeiras aeronaves a jato, incluindo unidades do 727-100 e 707 da Boeing. Posteriormente vieram os 737-200, 727-200 e três variantes do 747: -100, -200M e -SP. A chegada das novas aeronaves colocou a Iran Air como uma das empresas aéreas com maior crescimento na década de 70, mesmo período em que os voos para os Estados Unidos foram iniciados.

Estreia dos voos para Nova York

Era um sábado, 29 de maio de 1971, quando o voo inaugural da Iran Air partiu de Teerã (THR) para Nova York (JFK) com uma parada em Londres (LHR). Posteriormente, uma linha adicional foi estreada, mas via Paris (ORY) e também com o 707. Sendo assim, a Iran Air se consolidava como a segunda companhia do Oriente Médio a ligar a região com Nova York, ao lado da El Al.

Boeing 707 386C Iran Air AN1823549
Foto: Steve Fitzgerald

A grande novidade viria ser anunciada anos adiante, em 1976, com o lançamento da rota Nova York (JFK) -> Teerã (THR) sem escalas. O trajeto da ida (Teerã -> Nova York) contava com parada em Londres. Com seu ótimo alcance e performance, o Boeing 747-SP foi o escolhido para cumprir o trajeto, que, na época, era considerado um dos mais longos do mundo. A Iran Air oferecia conexões rápidas para Shiraz e Isfahan e era a única empresa aérea a voar diretamente de JFK e THR. Tal vantagem foi utilizada em peças publicitárias desenhadas pela companhia, como o vídeo a seguir: Iran Air New York.

Com esta rota, a aérea de bandeira do Irã estabeleceu um novo recorde mundial em tempo e distância para um voo regular de longo curso, sem escalas: 12h15min percorrendo 9.867 km (6.131 milhas – 5.328 nm). Em JFK, a Iran Air utilizava o emblemático terminal da Pan Am, como pode ser visto na imagem ao lado: Iran Air JFK 1976.

Em algumas ocasiões, a rota chegou a ser operada pelo 747-100 ou 747-200 e, nestas ocasiões, em ambos os sentidos era realizada uma escala em Londres.

Curiosidade: entre novembro de 1974 e janeiro de 1975, a Iran Air voou com o 747-100 N659PA arrendado da Pan Am.

Na virada de 1977 para 1978, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, foi ao Irã e passou o ano novo ao lado do xá Mohamed Reza Pahlevi (então líder do Irã) num jantar de gala. As relações entre os países seguiam ótimas, mas tudo iria mudar pouco mais de um ano depois. No final de 1978, a Iran Air atendia 31 destinos internacionais, incluindo Pequim, Tóquio, Cairo, Frankfurt, Nova York, Paris, Londres, entre outros. Los Angeles e Sydney estavam na lista da empresa para futuros destinos e a ideia era tornar Teerã um poderoso ponto de conexão entre Oriente e Ocidente. No entanto, o grande plano não se concretizou.

Revolução Islâmica e fim dos voos

Em 16 de janeiro de 1979, o monarca persa fugiu do Irã. Uma onda de protestos tomavam conta do país e ele se viu incapaz de contê-los. Semanas após sua saída, o líder islâmico religioso Ruhollah Musavi Khomeini, que havia deixado o país à força por criticar o então governo, regressou ao Irã. Khomeini era oposto ao regime monárquico e acusava o xá de ter vendido o país aos Estados Unidos.

A relação entre Irã e os Estados Unidos se degradou rapidamente até colapsar, principalmente após a tomada da embaixada norte-americana na capital iraniana. Isso refletiu nas ligações entre os países e, em 7 de novembro de 1979, aconteceu o último voo entre Nova York e Teerã da Iran Air. O voo do dia seguinte partiu de Teerã, parou em Londres, decolou para Nova York, mas precisou alternar para Montreal, jamais chegando à Big Apple.

Encerrava-se aí o período de boas relações entre Irã e Estados Unidos, bem como os voos diretos entre os países.

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