Panair 026: o DC-8 que não conseguiu decolar do Galeão e mergulhou na Baía de Guanabara

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Panair 026: o DC-8 que não conseguiu decolar do Galeão e mergulhou na Baía de Guanabara
Foto: Arquivo Flap

Era segunda-feira, 20 de agosto de 1962, quando o voo 026 da Panair pousou no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, procedente de Buenos Aires, onde havia iniciado sua jornada até a Europa.

Operado pelo então novíssimo DC-8-33 de matrícula PP-PDT, fabricado no ano anterior e entregue à Pan Am como N820PA, o trajeto conectava a capital argentina com Londres, com paradas intermediárias no Rio de Janeiro, Lisboa e Paris.

Na escala em terras cariocas, houve uma troca de tripulação, que assumiu o voo para a longa jornada até Lisboa.

Com 105 ocupantes, sendo 94 passageiros e 11 tripulantes, o Douglas DC-8 da Panair iniciou a corrida de decolagem pela pista 14 (atual 15) pouco depois das 22h (local).

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Foto: Arquivo Flap

O copiloto anunciou quando a aeronave atingiu a velocidade de 148 kt, que era a VR (Velocidade de Rotação) determinada, e o comandante Renato Lacerda César puxou a coluna do manche para trás na tentativa de iniciar a decolagem. No entanto, a aeronave não respondeu aos comandos e o piloto colocou o manche novamente na posição neutra. Uma nova tentativa foi realizada e o PDT seguiu não respondendo. Desta forma, a tripulação iniciou o procedimento para abortar a decolagem, aplicando os freios em seu limite e não comandaram o reverso. As marcas dos freios ficaram registradas pela pista a partir de 2.600m, contudo, o jato ainda estava em alta velocidade. Em uma tentativa frenética de parar a aeronave, César aplicou pedal para a direita e o DC-8 saiu da pista.

O copiloto relatou que aplicou os reversos e spoilers, mas ambos acabaram não funcionando por conta da trepidação. Ainda em alta aceleração, o quadrimotor atravessou os limites do aeroporto atingindo o muro. No caminho, partes da aeronave foram ficando para trás, como dos motores, a bequilha e o trem de pouso traseiro do lado esquerdo, além de um rastro de combustível deixado por conta de um vazamento.

ft ac Panair PP PDT trajetoria do acidente

A aeronave atravessou a Estrada do Galeão e por fim atingiu as águas da Baía de Guanabara, se arrastando por mais de 50 metros da costa. Estava escuro e as luzes de emergência não funcionaram, deixando os passageiros confusos, pois não conseguiam visualizar as saídas de emergência. Com uma lanterna, uma das comissárias auxiliou na orientação dos passageiros, que evacuaram, em sua maior parte, pelas quatro saídas de emergência sobre as asas. Poucos ocupantes deixaram o jato com coletes salva-vidas, uma vez que não haviam sido dadas instruções sobre a evacuação. Os botes salva vidas tampouco foram utilizados pelos tripulantes.

ft ac Panair PP PDT destrocos avenida
Foto: Germano Bernsmüller (Mundo Ilustrado)

O PP-PDT demorou 25 minutos até afundar completamente a uma profundidade de 8 metros. Por conta disso, grande parte dos passageiros e tripulantes conseguiram evacuar a aeronave. Um total de 91 ocupantes sobreviveram ao ocorrido.

Conclusão

A investigação concluiu que o acidente ocorreu por conta de um ajuste equivocado no trim do estabilizador horizontal, que foi alterado de 3º positivos para 4º negativos. A demora para iniciar a frenagem e abortar a decolagem, foi um fator contribuinte para a ocorrência.

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Respostas de 9

  1. Meu pai estava nessa aeronave, e era o navegador desse vôo e salvou muitos passageiros.
    O nome dele era Osmar Avelino Ferreira.
    Me lembro dessa noite perfeitamente, ouvimos o comunicado pelo Repórter Esso

  2. Com todo o histórico de desagrado da FAB com os donos da empresa desde a intentona de Aragarças (1959), ninguém investigou o “erro” no estabilizador horizontal? Quem teria cometido esse equívoco praticamente impossível?

    1. Muito interessante. Estou escrevendo um livro sobre o meu pai e cheguei aqui procurando informaçao sobre o accidente. Incrível a falta de respostas sérias ao assunto, né?

  3. Meu pai, engeniero argentino, foi um dos salvos e ajudou uma mulher velha a sobreviver. Minha mae estava grávida e sem telefone nessa época, mas acordou agoniada na mesma hora do acidente. Eu tinha 4 anos.
    Agradeço os comentários da história.

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